Vamos aos fatos: alimentos “light” ajudam a emagrecer?

Copo de leite sobre uma mesa com cereais: alimentos light nem sempre são a solução

Alimentos “light” (de baixa caloria) estão na moda desde que surgiram: para quem quer emagrecer, existe todo tipo de alimento gostoso em versão light — frios, queijos, leite, barrinhas de cereal, refrigerantes, biscoitinhos…

Quem investe em alimentos light às vezes gasta mais dinheiro porque quer emagrecer e consumir produtos saudáveis. Sempre que lemos uma embalagem que diz “sem açúcar”, “baixo teor calórico”, “sem sal”, “sem conservantes”, associamos imediatamente a um produto saudável. Entretanto, será que alimentos de baixa caloria realmente cumprem o que prometem?

O que são alimentos “light”?

Quando o produto é “light”, quer dizer que ele é “leve” em algo: por exemplo, tem menos sal, menos gordura, ou menos açúcar. Produtos “light” precisam ter ao menos 30% calorias a menos que o correspondente “normal”. Fora isso, há uma série de termos diferentes para se referir a alimentos “light”, mas com significados diferentes. Sabia? Pois é, tem muita pegadinha na indústria alimentar! Vamos a uma lista dos termos mais comuns e suas definições:

  • Sem gordura: menos que 0,5g de gorduras totais por porção*
  • Zero calorias: menos de 5 calorias por porção
  • Sem colesterol: menos de 2mg de colesterol por porção e <2g de gorduras saturadas por porção
  • Sem gorduras saturadas: <0,5g de gordura saturada por porção e <0,5g de ácidos graxos transgênicos
  • Baixo teor de gordura: <3g de gordura total por porção
  • Baixa caloria: 40 calorias ou menos por porção (exceto para substitutos do açúcar)
  • Baixo teor de colesterol: <20mg de colesterol e por porção e <2g de gorduras saturadas por porção
  • Baixo teor de gordura saturada: <1 de gordura saturada por porção e menos que 15% das calorias aportadas por gorduras saturadas

* O tamanho da porção representa a quantidade de alimentos que é normalmente consumida em cada ocasião. Fonte: https://caloriecontrol.org/what-the-labels-mean/ Pessoa comprando alimento pouco processado em um supermercado

Alimentos “light” têm gosto diferente?

A gordura é muito importante para definir o sabor porque ela absorve e preserva sabores. Substâncias como o glutamato, glicina, cloretos, lactatos, extrato de levedura ou saborizantes são acrescentados à composição do produto para compensar a perda no paladar causada pela redução na gordura. Pode parecer inocente, mas sabia que algumas dessas substâncias podem causar diarreia, poliuria (micção excessiva) ou até reações alérgicas? 😱

Então quer dizer que alimentos light ou de baixa caloria não são saudáveis?

Para bater o martelo, precisamos de mais pesquisas para definir claramente se e como os alimentos “light” afetam nossa saúde. Mas há um estudo longitudinal realizado na Europa cujos resultados afirmam que apenas dois copos de refrigerantes adoçados por dia podem prejudicar a saúde. Interessantemente, não há diferença se o refrigerante é adoçado com açúcar ou adoçantes artificiais.

Outros estudos indicam que adoçantes artificiais também podem ser prejudiciais à saúde do aparelho digestivo.(1) Assim, largar as bebidas normais e optar apenas por bebidas adoçadas artificialmente não é a escolha certa nem para diabéticos, pois, por si só, a composição dos refrigerantes já pode constituir um fator de risco para a diabetes.(2) No fim das contas, a forma mais saudável e segura de consumir bebidas saudáveis é se manter na água ou variar com chás não adoçados.

Salada nutitiva e verdadeiramente light, preparada com produtos naturais

Cuidado com os alimentos “diet”

Alimentos “light” ou de baixa caloria nem sempre cumprem o que prometem! Só porque têm baixo teor calórico, não necessariamente são mais saudáveis, pois as substituições podem ser mais prejudiciais. Como diz o dito popular, o remendo pode sair pior que o soneto.

Quando o assunto é emagrecimento, estudos de longo prazo demonstram que alimentos “diet” altamente processados contribuem pouquíssimo para a perda de peso, se é que de fato contribuem.(3,4) Tendemos a consumir maiores quantidades de um alimento quando a consciência fica mais “leve” só por ver a palavra “light” escrita na embalagem. Quer uma estratégia melhor? Consuma a versão padrão do produto, mas em menos quantidade. Isso certamente ajuda a emagrecer!(5)

Lição para levar pra vida: alimentos de baixa caloria são amigos ou vilões?

No fim das contas, ainda não há provas suficientes que permitam condenar ou inocentar os alimentos “light” relativamente a serem ou não saudáveis. A única coisa que está comprovada até agora é que tais alimentos não trazem benefícios comprovados para a saúde (além de, muitas vezes, pesarem no bolso).

Não há nada que prove que, necessariamente, optar por alimentos de baixa caloria seja uma escolha eficaz para emagrecer. Quem quer perder peso sem descuidar da saúde aposta no óbvio: alimentos naturais preparados em casa, com poucos aditivos artificiais. Se você cortar os alimentos industrializados, facilmente eliminará cerca de 300 calorias do seu consumo diário. Vale a pena, não é? (Dica: frutas, legumes e verduras são mais leves para o bolso, também!)

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Julia Denner Apaixonada por culinária e atividades ao ar livre, Julia pratica musculação e faz yoga para relaxar. Sua missão como dietista é inspirar e ajudar os outros a desenvolverem hábitos alimentares saudáveis. Ver todos os artigos de Julia Denner »